
O DESENHO DE ILDEU MOREIRA
Depois, a imaginação sobre o motivo. As formas, trabalhadas, reprisadas, experimentadas, esvaecem-se, diluem, numa desintegração quase completa do objeto de origem. O traço, agora rápido, nervoso procura a curva adequada, a contornar ou a isolar o cinza que a monotipia deixou. O artista cresce no ímpeto de expressar-se, e, então, eis as velas claras, muito claras, a desprender-se do neutro fundo cinza, onde, dissimuladamente, um traço esquivo, sugerido ao contraste dos cascos escuros, ainda quer lembrar-nos a fuga do horizonte.
Finalmente, a ideia sobre a ideia. No reencontro do objetivo com o subjetivo, o artista vacila, tateia e, afinal, se decide. Onde houvera a figura cristalina, agora o impacto negro, a sugerir-nos a violência da criação, sem amparo e ou anteparo, inspirada pela forma nascida de si mesma.
São três momentos – desde a figura reconhecível, passando pelo despojo de si, à abstração – na seqüência dos quais se pode acompanhar a evolução de Ildeu Moreira, nesta série de desenhos agora exibidos, que demonstra o longo e muitas vezes difícil caminho trilhado pelo artista no esforço de expressar-se.
Primeiro, olho sobre o motivo. A natureza morta ali está, com seus jarros, frutas e folhas, maquinas de moer e lampiões. Um conjunto de formas em repouso, formas que as linhas definem em suas curvas e fugas. O artista se mede com o modelo, observa-o, dispõe à sua vontade, encontra o seu “status” ótimo e – as imagens só pensadas para além das retinas – entrega-se à aventura da recriação. O que ali fora fruto vermelho ou amarelo, lampião base de lata, vidro transparente ou jarro opaco de leitoso branco – aqui se torna simples forma circunférica, oval, sinuosa ou delgada, não mais alimento a falar-nos ao apetite, mas elemento composicional integro num todo, a provocar reação. A natureza morta, aqui não obstante ainda bem lembrada, se deixa dominar, prestando-se, dócil, aos caprichos do artista
Pierre Santos
POETA DAS MANEIRAS…
POETA DAS CORES
Ildeu Moreira, esse moço simpático, afável e bom, que Belo Horizonte inteiro conhece, reflete bem na sua obra, em traços precisos e sinceros, a característica de sua personalidade artística, impregnada de romantissismo.
Pintor de méritos, sabendo bom desenho, usa esse elemento básico dando cunho dialestivo original aos seus trabalhos, fugindo aos rigores vulgares do academissismo.
Suas cores, límpidas e amenas, iluminam com fina delicadeza seus quadros, de temática eclética pela variedade dos assuntos, resolvendo com facilidade os complexos problemas pictóricos, comunicando vida aos seus personagens, personalizando-os nas conjeturas artistas.
Suas obras são belos poemas coloridos, desde o abstrato nebuloso ao figurativismo emocional.
Tudo em Ildeu Moreira, sua vida, maneiras, obras artísticas, revela uma alma boa que procura paz, com sinceridade, na comunhão dos seres humanos:
Os teus sonhos Ildeu, são telas emolduradas de riqueza ternática e beleza pessoal. É arte moderna na hora enquadrada na vivência dialética de teu mundo abismal.
A tua arte Ildeu, é atavismo sagrado Herança dos deuses para fuga crucial Creas anelos nos entrechoques causados no combate origindo da vulgaridade social.
Eu te saúdo oh companheiro de jornada, nestes versos cadentes de horas sofridas juntos, polarizando os mesmos ideais.
Meu abraço fraternal pela gloria almejada.
Álvaro Damiane
Continua